Ontem, hoje e amanhã!

Retratos do dia a dia!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Crónica de Uma Viagem

As árvores fogem-me aos olhos O casario branco perde-se no olhar A fronteira afasta-nos no caminho No amarelo das giestas, vejo o teu olhar A seara colhida, passa despercebida ao rebanho que pasta Montes, vales, pontes, albufeiras, água, verdura que não mata a sede, que em meu peito perdura. Uma caleche de noivado, passa mesmo a meu lado Neva para lá do horizonte e eu, continuo caminhando para lá de ti. A lava do vulcão inexistente imaginado no olhar de quem passa enegreceu o meu sentir Mas eu quero, e vou prosseguir. Voltas e reviravoltas, curvas e contracurvas e os caminhos se afastam. Ao longe um barco, desliza no mar A praia solitária, acolhe os pescadores furtivos. Cruzes e tabuletas ladeiam o percurso Hortas e hortinhas acompanham-nos O cheiro do queijo nos montes de soja, entranha-se Castelos, rios, vinhedos e gado Tudo nos acompanha. O sol e a lua entre florestas e flores fazem parte dos dias e das noites que passam. As nuvens emaranham-se deslizando ao compasso do nosso caminho. Mortos e vivos, nos adros das igrejas cruzando sua Fé Mais trocas e baldrocas, Segues tu, ou sigo eu?! E a distância se encurta, no alongamento dos dias. Telhados de colmo, protegem da brancura da neve que cai De quando, em quando, as nuvens choram O sol esconde-se tristonho mas, depressa ressurge alegrando os viajantes. Imagens que não se captam, captadas num simples olhar que ficam retidas na retina de quem as olha. Quedas, sobressaltos, risos fotografados. Cruzeiros e cruzes com Jesus, acompanham-nos. Homens beijando homens Mulheres amando-se entre si Alegres, felizes, drogados, pelados caminharam lado a lado, lutando pelo seu lugar no mundo. Ao longe um moinho surge, ao olhar ávido do passeante Póneis e cavalos nas pastagens viçosas aguardam ser montados pelas moças airosas. Queijos replectos de apetite, para quem os olha e deseja Mais canais, pontes e lagos Flores nas ruas e janelas E nós, perdendo-nos no destino. As ruas quase adormecidas, passeiam-se entre canais floridos Patas, protegem suas crias com fervor, mães que sabem dar amor. Sai um, sai o outro, saem todos, voltam a entrar, ninguém se entende, e, ainda falta muito a visitar. Cafés a quilómetros de euros Fazes xixi a pagar, e se banho quiseres tomar, também pagas. A pedra bate nos vidros, tentando nos assustar mas nós, resistentes, insistimos em caminhar. Meninas apelativas, desafiam os olhares indiscretos outras, grosseiras e sem formas, também se mostram na montra dos horrores. A chuva insiste, persiste, prende-nos os passos E o frio desagasalha-nos os corpos cansados. Caminhamos a pé, à chuva e ao frio que afinal não metem medo a ninguém. Já no metro e a caminho whitw people, black people, quase sexo e bebedeira podiam ter dado asneira. No barco tentamos ultrapassar os pingos grossos que caem e fotografar as maravilhas que se defrontam aos olhos. Aí, o fotografo falha, a chuva é mais forte e resiste. Catedrais onde os nossos olhos se perdem Na grandiosidade dos vitrais que as contornam Na beleza das imagens que as adornam Nos claustros, nos pilares, nos entrelaçados Nas magníficas relíquias do passado. Andamos por todo o lado. Os verdes e os azuis cruzam-se entre o céu, o mar e a terra. Risos, gargalhadas, almoços e jantaradas fortalecem os laços da amizade. Sobe-se e desce-se, desce-se e sobe-se Travões travados e destravados E continuamos a caminhada, entre a neve que cai e a outra além bem branquinha, quase parece um filme mas é a realidade que o nosso olhar deslumbra. Entre oui e yes, muitos sim encontrámos Como é bom nosso Portugal partilharmos. Compras e mais compras, lembranças e mais lembranças E o eurito se gasta, vão-se as poupanças. Não faz mal, é só desta vez. Será? Talvez! O tempo urge, há que regressar Já? Agora que estava pronta a continuar. Mais uma noite, mais um dia, mais um parque E, o almoço de despedida aconteceu No olhar já se via a saudade No coração, a recordação de uma boa amizade. Beijinhos e abraços apertados apartaram-nos no caminho. Adeus até à próxima! Maria Antonieta Oliveira Viagem a partir de Sta. Justa até Amesterdão e vice-versa. Entre os dias 11-05-2013 e 01-06-2013 Intervenientes: - Maria Antonieta Oliveira - Victor Manuel Oliveira - Natália Nuno - António Teles - Helena Inácio - Joaquim Inácio

sexta-feira, 22 de março de 2013

Crónica de Um Dia

O céu trovejou estridente, as nuvens choraram pedras soltas de saudade. Chovia copiosamente na quase madrugada de sexta-feira, 8 de Março de 2013. A febre, enviada por uma gripe teimosa e irritante, tentava destruir aquilo que eu ansiava e sonhava, ser um dia diferente. Percorri os cerca de quinze metros entre a porta de casa e o carro, o suficiente para que o kispo ficasse uma sopa. Já no carro a caminho do encontro com a mana, a cabeça latejava, os olhos choravam e eu, calava. A mana já me aguardava, sem beijinhos, não fosse ainda pôr a minha apresentadora pior do que eu estava. Seguimos rumo à ponte Vasco da Gama a caminho do Alentejo. Uma breve paragem na área de serviço de Vendas Novas para um café quentinho. Só vos digo, pagámos o odor, a água, o açúcar, o calor e naturalmente o café, mas valeu a pena, aqueceu-nos o interior. Enfim, à estrada de novo. Chegamos ao destino, Vidigueira. Dirigi-me ao Centro Multifacetado de Novas Tecnologias, onde me aguardava a Belinha que de imediato se dirigiu a mim, num beijo de amizade, como se sempre nos tivéssemos conhecido, afinal era a primeira vez que nos víamos. A Idalete e a Sebastiana, também me acolheram como se da família fosse. Queriam a minha opinião sobre o local exacto onde iria decorrer a apresentação do meu livro. Concordei de imediato com a ideia delas, aliás, telefonicamente já lhes tinha dado luz verde. Na mesa já se encontrava um lindo arranjo floral, com gerberas. Tinham pensado em tudo, inclusive na flor para cada senhora que estivesse presente. Algo que eu queria fazer, parecia quase transmissão de pensamento. Já não fui à florista, tudo estava perfeito. Um empadão de bacalhau bem regado com o tinto da Vidigueira, (eu só bebi água) eis-nos no bar das piscinas municipais, para o saboroso café. Eis-me de novo a entrar no Centro Multifacetado de Novas Tecnologias da Vidigueira. As amigas esperavam-me sorridentes e felizes, como se o dia fosse só e apenas delas. As 15h aproximavam-se e a sala estava vazia. Lá fora a chuva insistia em molhar o chão. Deixando um deslizar suave de trajectórias inesperadas. Era sexta- feira, dia de trabalho, as gentes da minha terra tinham mais que fazer, do que ir à apresentação de um livro de alguém que nem sequer conheciam. De repente, entram duas senhoras, bem postas, de largo sorriso, que me foram apresentadas como sendo as mais entusiastas e curiosas sobre o evento. Sentaram-se na segunda fila, do lado direito. Aos poucos a sala ia-se compondo. Também estava presente a Rute, a menina a quem tinha dado na véspera, em directo, uma entrevista para a Rádio Vidigueira.Com um forte aperto de mão e um sorriso aberto, o vereador da cultura cumprimentou-me com um - finalmente. Sim, finalmente o “meu” dia tinha chegado. Desde março de 2011, aquando da publicação do meu primeiro livro de poesia, que ansiava aquele momento. O momento em que deixaria as minhas palavras soltas na terra que me viu nascer. À minha direita sentou-se a vereadora da assistência social, à esquerda, a mana. Os fotógrafos misturavam-se pela sala. Apenas um era profissional, o que foi enviado pela camara municipal para fazer a cobertura do evento. Tudo acontecia para além das minhas espectativas. Antes de ser iniciado o evento, a minha amiga Idalete veio com uma amiga que tinha de se ausentar, para que eu lhe autografasse o livro. Fi-lo com todo o prazer, afinal era o meu primeiro autógrafo na Vidigueira, o pior foi o saltitar da caneta, que nervosa, não me deixava escrever direito. A seguir a uma breve introdução pela vereadora, foi-me dada a palavra. As palavras saiam soltas, sem medidas, nem rodeios. No entanto, os nervos insistiam em estar presentes naquele evento. Passei a pasta para a mana que falou por ela e por mim. Leram-se poemas dedicados ao dia internacional da mulher, poemas dedicados ao Alentejo, e outros, de outro tipo de amor e de afectos, todos de minha autoria. Foram-me colocadas perguntas às quais respondi prontamente. Falou-se dos meus dois livros. Vi lágrimas nos olhos e sorrisos nos olhares. A tarde caminhava feliz na felicidade que eu sentia, no carinho e na amizade das gentes da minha terra. Os autógrafos deram por terminada aquela tarde de sonho. Sonho realizado. Mais um. Aos poucos todos os meus sonhos se realizam. O nervoso e a chuva, esconderam-se envergonhados. Maria Antonieta Oliveira 22-03-2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sentimentos Controversos

SENTIMENTOS CONTROVERSOS Penso em ti! Nem sei porque ainda perco tempo a pensar em ti. Se queres saber, até já te esqueci. Lembro-me da doçura dos teus olhos procurando a minha boca. E essa boca quente e doce, pousando suavemente no meu corpo ardente de desejo. Desejo de te ter em mim. De sentir o afago carinhoso das tuas mãos macias, por entre as entranhas do meu sentir. Do sabor dos nossos corpos suados. Dos nossos odores trocados na volúpia dos desejos partilhados e concretizados, no aconchego da nossa cama quente e húmida, onde libertamos pudores, soltamos amarras e gritamos bem fundo o quanto nos amamos. Mas, se já me esqueci de ti, porque ainda perco tempo a pensar em ti?! Sim, se queres saber, até já de ti me esqueci. Maria Antonieta Oliveira

O ultimo... O Primeiro...

O ULTIMO… O PRIMEIRO… No ultimo dia do ano, o sol escondeu-se envergonhado, pela tristeza da pobreza que aumenta a cada dia. O dia chuvoso e sombrio incentivou à meditação. Ao balanço de tantos dias vividos, e alguns bem sofridos, na vivência da vida que passa. Cada pingo de chuva, era uma lágrima caída do céu no choro de um mundo em guerra, com fome, ódio e liberdades excessivas. Pais e filhos, maridos e mulheres, amigos, vizinhos, trocam o amor e a amizade, pelo ódio, pela morte e troca de tiros, só porque sim. E a fome, a fome que assola a terra. E os meninos nascidos na guerra. E os idosos abandonados, apenas porque viveram demais. E… E tantas coisas mais. O sol escondeu-se envergonhado. Mas, no primeiro dia do outro ano, o sol nasceu radioso, feliz, sonhador e esperançoso. Muitos dias pela frente, em que espera ver pão em todas as mesas. Ver os homens em abraços silenciosos e sinceros. Ver um mundo de paz, onde as crianças sorriam felizes na corrida pelo tempo. E o sol, nasceu com esperança no amanhã. Maria Antonieta Oliveira 31-12-2012 e 01-01-2013