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sexta-feira, 22 de março de 2013

Crónica de Um Dia

O céu trovejou estridente, as nuvens choraram pedras soltas de saudade. Chovia copiosamente na quase madrugada de sexta-feira, 8 de Março de 2013. A febre, enviada por uma gripe teimosa e irritante, tentava destruir aquilo que eu ansiava e sonhava, ser um dia diferente. Percorri os cerca de quinze metros entre a porta de casa e o carro, o suficiente para que o kispo ficasse uma sopa. Já no carro a caminho do encontro com a mana, a cabeça latejava, os olhos choravam e eu, calava. A mana já me aguardava, sem beijinhos, não fosse ainda pôr a minha apresentadora pior do que eu estava. Seguimos rumo à ponte Vasco da Gama a caminho do Alentejo. Uma breve paragem na área de serviço de Vendas Novas para um café quentinho. Só vos digo, pagámos o odor, a água, o açúcar, o calor e naturalmente o café, mas valeu a pena, aqueceu-nos o interior. Enfim, à estrada de novo. Chegamos ao destino, Vidigueira. Dirigi-me ao Centro Multifacetado de Novas Tecnologias, onde me aguardava a Belinha que de imediato se dirigiu a mim, num beijo de amizade, como se sempre nos tivéssemos conhecido, afinal era a primeira vez que nos víamos. A Idalete e a Sebastiana, também me acolheram como se da família fosse. Queriam a minha opinião sobre o local exacto onde iria decorrer a apresentação do meu livro. Concordei de imediato com a ideia delas, aliás, telefonicamente já lhes tinha dado luz verde. Na mesa já se encontrava um lindo arranjo floral, com gerberas. Tinham pensado em tudo, inclusive na flor para cada senhora que estivesse presente. Algo que eu queria fazer, parecia quase transmissão de pensamento. Já não fui à florista, tudo estava perfeito. Um empadão de bacalhau bem regado com o tinto da Vidigueira, (eu só bebi água) eis-nos no bar das piscinas municipais, para o saboroso café. Eis-me de novo a entrar no Centro Multifacetado de Novas Tecnologias da Vidigueira. As amigas esperavam-me sorridentes e felizes, como se o dia fosse só e apenas delas. As 15h aproximavam-se e a sala estava vazia. Lá fora a chuva insistia em molhar o chão. Deixando um deslizar suave de trajectórias inesperadas. Era sexta- feira, dia de trabalho, as gentes da minha terra tinham mais que fazer, do que ir à apresentação de um livro de alguém que nem sequer conheciam. De repente, entram duas senhoras, bem postas, de largo sorriso, que me foram apresentadas como sendo as mais entusiastas e curiosas sobre o evento. Sentaram-se na segunda fila, do lado direito. Aos poucos a sala ia-se compondo. Também estava presente a Rute, a menina a quem tinha dado na véspera, em directo, uma entrevista para a Rádio Vidigueira.Com um forte aperto de mão e um sorriso aberto, o vereador da cultura cumprimentou-me com um - finalmente. Sim, finalmente o “meu” dia tinha chegado. Desde março de 2011, aquando da publicação do meu primeiro livro de poesia, que ansiava aquele momento. O momento em que deixaria as minhas palavras soltas na terra que me viu nascer. À minha direita sentou-se a vereadora da assistência social, à esquerda, a mana. Os fotógrafos misturavam-se pela sala. Apenas um era profissional, o que foi enviado pela camara municipal para fazer a cobertura do evento. Tudo acontecia para além das minhas espectativas. Antes de ser iniciado o evento, a minha amiga Idalete veio com uma amiga que tinha de se ausentar, para que eu lhe autografasse o livro. Fi-lo com todo o prazer, afinal era o meu primeiro autógrafo na Vidigueira, o pior foi o saltitar da caneta, que nervosa, não me deixava escrever direito. A seguir a uma breve introdução pela vereadora, foi-me dada a palavra. As palavras saiam soltas, sem medidas, nem rodeios. No entanto, os nervos insistiam em estar presentes naquele evento. Passei a pasta para a mana que falou por ela e por mim. Leram-se poemas dedicados ao dia internacional da mulher, poemas dedicados ao Alentejo, e outros, de outro tipo de amor e de afectos, todos de minha autoria. Foram-me colocadas perguntas às quais respondi prontamente. Falou-se dos meus dois livros. Vi lágrimas nos olhos e sorrisos nos olhares. A tarde caminhava feliz na felicidade que eu sentia, no carinho e na amizade das gentes da minha terra. Os autógrafos deram por terminada aquela tarde de sonho. Sonho realizado. Mais um. Aos poucos todos os meus sonhos se realizam. O nervoso e a chuva, esconderam-se envergonhados. Maria Antonieta Oliveira 22-03-2013

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