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sábado, 7 de novembro de 2015

O Natal da Madrinha

A máquina de costura fechada, estava coberta de papel castanho, adornado com musgo verde, fresquinho. Por de cima entre montes e vales, muito bem torneados no papel, alinhavam-se muitas personagens feitas de argila e barro, pintadas, que representavam uma aldeia nas festas de Natal. Rios feitos da prata dos chocolates, corriam pelos montes, ou eram atravessados por uma ponte, onde a água corria por debaixo. As lavadeiras com a trouxa da roupa suja, à cabeça, caminhavam junto aos lagos, onde patos se banhavam. O moleiro enfarinhado, descansava sentado junto à mó do moinho de vento. Um outro, alinhava junto ao burro, que tinha em seu dorso um saco de farinha. Mais ao cimo, várias casinhas com luzes acesas, alumiavam o caminho que levava à igreja, onde senhoras bem vestidas aguardavam o começo da missa. Nos quintais, havia galinhas e galos, coelhos, patos e outros animais bonitos. O pastor e seu rebanho de ovelhinhas brancas, eram acompanhados pelo guarda fiel, o cão Bamby. Na fonte, as senhoras de enfusa à cabeça, outras já curvadas com o peso da água, alinhavavam conversas, para depois, menos cansadas e sentadas à lareira, terminarem entre o cheiro da sopa a cozer. Num caminho onde a areia imperava, viam-se camelos adornados, e os seus donos de turbantes na cabeça, quais reis imperiais. Nas mãos traziam prendas para ofertar o menino. Eram os reis magos, Melchior, rei da Pérsia levava ouro; Baltazar, rei da Arábia levava incenso; e Gaspar, rei da India levava mirra. Tinham vindo do Oriente, seguindo a luz de uma estrela, para verem o Messias. Uns anos, no cimo de um monte, em outros num vale, ficava o mais bonito do presépio, a cabana iluminada e com uma enorme estrela por de cima, onde estavam as figuras principais, a vaca, o burro, Maria, José e o menino Jesus nas palhinhas douradas. Ao redor várias figuras, como seres humanos, que visitavam o menino. A vaca e o burro aqueciam o ambiente frio de Dezembro. E assim ficava completo o majestoso presépio da madrinha. A máquina de costura que era enorme, parecia muito pequena para tamanha grandeza. Do outro lado ficava a árvore de Natal. Um pinheiro enorme iluminado com luzinhas coloridas a piscar, era cingido com fitas também elas coloridas e farfalhudas, sinos, anjinhos, bonecos e moedas de chocolate, e muitas bolas de vários tamanhos e cores, embelezavam a árvore. Majestosa e linda era a árvore de Natal da madrinha. Em seu redor apinhavam-se embrulhos, com lindos laçarotes e papeis com o pai Natal, ou com bolas brilhantes. A menina ansiava ver o que eles continham, embora soubesse que para ela não eram muitos, talvez dois, um brinquedo dado pela madrinha e, um vestido ou um casaco, feito pela mãe, com tecido também ele ofertado pela madrinha. A madrinha era quem mais prendas tinha, embora fossem todas compradas por ela, mas adorava mimar-se e sempre que a ocasião se proporcionava, ela fazia-o, comprando tudo o que gostava. A mesa composta com uma toalha vermelha bordada a ouro, com folhas de azevinho e pinhas pequenas, estava cheia de pratos com broas, azevias, sonhos, rabanadas, coscorões, fatias douradas, pastéis de grão e de batata-doce, filhoses, bolo-rei, tarte de chocolate, arroz doce, broas de milho e broas castelar, até lampreia de ovos estava na mesa. As taças também estavam recheadas de tudo o que era bom, bombons de chocolate com recheio, amêndoas, nozes, figos, passas de uva com caroço e passas de uva sem caroço, e sei lá que mais de coisas boas. Quando a menina entrava naquela sala ficava extasiada com tudo o que o seu olhar abrangia, quanta beleza e grandeza. Quanta luz e brilho. Quanta alegria e Fé. Quanta magia na magia do Natal. A menina de olhar meigo, sentia-se feliz por poder viver o Natal da madrinha. Ela sabia que os pais não lhe poderiam dar um Natal assim, eram pobres, viviam do que o trabalho lhes dava, nem casa própria tinham, aquela era também a casa onde viviam, aquele era também o Natal deles, mas a menina era feliz no Natal da madrinha. A menina olhava, vivia, amava todo o brilho, luz, harmonia e fartura daquela sala recheada de magia, a magia do Natal da madrinha. Maria Antonieta Oliveira 07-11-2015

1 comentário:

  1. Mesmo em pleno verão de S. Martinho, dá para sentir o doce aconchego desta noite de Natal. Belíssimo texto. É um caso singular mas muito plural. Muitos parabéns.

    Com um ramo de :-) (sorrisos)

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