Ontem, hoje e amanhã!

Retratos do dia a dia!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Acordei


Acordei. Espreguicei-me ao longo da cama e senti-me confortável por entre o calor dos lençóis. Resolvi ficar mais um pouco.
A chuva caia em cadência sobre o telhado. As andorinhas chilreavam no seu voo ritmado tentando fugir à chuva.
Lembrei-me do ninho de andorinha que ontem encontrei sobre uma lâmpada que tenho no quintal.
Que lindo. Com que carinho ele foi construído. A cada pedacinho um pedacinho de amor. E o medo do homem destruidor, de lares, de famílias, de ternura entre pais e filhos. Destruidor do próprio mundo.
Sempre que me aproximo, ou apenas abro a porta, a andorinha assustada foge do seu ninho, regressando logo de imediato para guardá-lo. É lindo ver esta ternura de mãe.
Como é bela a natureza.
Como tudo é perfeito e harmonioso.
Agradeço a Deus este momento de felicidade interior contemplando a beleza exterior.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Hoje Divaguei

(Imagem google)




Não sei porquê, mas hoje sinto-me fora do mundo.
Também não sei onde me encontro.
Perdi-me neste espaço imundo, onde só vejo sofrimento e dor. Ódios e traições. Gulosos sôfregos pelo poder. Apenas pelo poder. Ser grande! Ser o maior! Ter carros, mansões, mordomias… E os demais?!... Os demais, coitados, vivem a vegetar. Agarrando migalhas deixadas ao vento. Suportando o frio e a fome. Sem abrigo ou agasalho que os esquente. Deixando para trás uma vida decente, de cabeça erguida, de paz e harmonia com os seus entes queridos. Também eles, hoje sofrendo a ingratidão desses tais gulosos, convencidos que são “Gente”. “Gente” é o povo. Aqueles que sempre trabalharam dignamente e de um dia para o outro ficaram sem nada.
40 anos. Sim! 40 anos é ser velho. Velho demais para trabalhar.
Mas não são velhos para serem despojados de todos os seus haveres, por já não poderem fazer face às dívidas contraídas, quando tinham como pagá-las.
E essas pobres crianças vítimas desta sociedade gananciosa, sem coração. Demente!
Cujas atrocidades são vitórias. Glórias conseguidas com a morte contínua de quem já foi “gente”. Mas sente!
Hoje, neste dia em que me sinto fora do mundo, entrei neste mundo imundo, de podridão nefasta, que cresce na ordem inversa de quem nele tenta viver.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Chovia

(Imagem google)



Chovia!
Uma chuva miudinha, irritante. Irritada já eu estava de há tanto tempo esperar por ti.
Mas chovia.
Talvez esse fosse o motivo da tua demora. Ou talvez não. Quem sabe onde andarias? Com quem estarias? E eu aqui entre as vidraças sem força para sair, ou para ficar.
E se fosse passear à chuva, essa tal chuva irritante que me irritava, de irritada que estava?!
Não é que fui mesmo.
Senti a roupa encharcada, o meu corpo molhado, dos cabelos escorriam gotas de água, que mais pareciam cristais de tão límpidas e brilhantes.
Mas continuei.
Molhado estava o exterior, o interior ia-se renovando a cada passo que dava. Afinal sabia andar sozinha, sem ti. Nem sequer perguntava onde estarias. Já não me interessava.
Com a tua ausência fizeste de mim o que hoje sou.
Uma mulher resolvida com a vida.
Uma mulher alegre.
Uma mulher livre que sabe andar sozinha.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Desabafo à beira rio



Acordei já cansada!
Levantei-me e apeteceu-me dar uma caminhada.
Peguei nas chaves do carro e fui estrada fora sem destino, ou com ele já traçado. Dirigi-me a Belém, onde o Tejo, ainda é Tejo, já perto do mar que o acolhe.
Hum, que cheirinho a maresia. Aquele ventinho no rosto que bem que sabia. Desanuviava o pensamento, purificava a alma.
Caminhei ao longo da muralha e ia vendo, como se tivesse um LCD à minha frente, a história da minha vida. Desde menina mimada, a mulher casada, mãe e também avó. Tantos caminhos trilhei. Tantos erros cometi. Tantos momentos felizes. Tantas lágrimas e tristezas. Muitos anos! Uma vida!
E neste caminhar perdi a noção do tempo. Mas aliviei o cansaço.
Deixei que o vento levasse o peso da minha vida.
Regressei ao carro com outro olhar. Vi os contrastes de azuis entre o céu e o mar, ou melhor, o rio. Admirei com prazer, as criancinhas que brincavam no jardim. Lembrei-me dos meus meninos, apeteceu-me beijá-los.
Corri para o carro, sem me lembrar que acordei cansada. Percorri o trajecto até à ponte Vasco da Gama e fui ao encontro dos meus amores pequeninos.
Valeu a pena este desabafo à beira rio.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Doce Melodia





Numa tarde de sol em que tudo convidava ao passeio, agarrei num livro e fiz-me ao caminho. Depressa cheguei ao jardim, aquele onde em tempos me declaraste o teu amor.
Sentei-me num dos bancos semi-sol, semi-sombra, pois nesta época do ano, o sol e o frio de mãos dadas, são propícios a constipações.
Respirei o pouco ar puro que ainda se alcança, num jardim perfumado pelo aroma das várias flores ali existentes.
Recostei-me no banco, ainda de madeira, como outrora e segurei o livro abrindo-o, para começar a leitura.
Eis senão quando, da árvore frondosa que dava sombra ao banco onde estava sentada, surge um chilrear, num cântico mágico de doçura. Olhei para cima. Aninhados no carinho dos pais, dois biquitos surgiam ansiosos pelo rico manjar, que a mãe pintassilgo, tinha ido buscar.
Aconcheguei-me no banco de madeira e ao som de uma melodiosa chilreada familiar, abri o livro e deliciada, li.

Carta ao ex-a(mante a(mor)





Imagina o filme que te vou contar.

Imagina-te brinquedo querido de uma menina de quem gostavas, tratado com carinho sempre que ela brincava contigo.
mas essa menina era caprichosa e nem sempre te dava o carinho que querias, antes pelo contrário, punha-te na
prateleira arrumado, enquanto brincava com outro brinquedo. Até que se aborrecia também desse outro brinquedo
e te pegava de novo, onde tu estavas tranquilamente à espera. E isso sucedia-se ao longo do tempo.
Até que um dia tu, brinquedo em questão resolves sair da prateleira e pedir uma satisfação à menina, pois já estavas cansado
de estares sentado sempre à espera de que algo mudasse a forma da menina brincar contigo.
Agora invertemos os factos, eu sou o brinquedo e tu, aquele que ao longo de 5 anos e tal me tem posto na prateleira
sempre que surge algo de novo,
A prateleira é rija e cansa lá continuar.
Como tu já me disseste algumas vezes, e cito: - Vocês pensam que sou parvo... Digo-te o mesmo mas de outra forma:
se pensas que sou parva e só agora cheguei ao ponto da situação, enganaste.
A primeira vez que fui descansar para a prateleira, até acreditei na desculpa que me deste. Tinha a sua lógica e eu
acreditava e confiava em ti.
Depois fui apanhando mentiras fúteis, as tais sobre as quais não havia juras pela saúde de... e aos poucos fui
associando umas às outras e formei a tua maneira de agires comigo, ou melhor, com a mulher.
Revoltei-me comigo mesma imensas vezes por não pôr ponto final na situação, mas preferia viver com a mentira,
do que perder-te. Aceitava, pensando que se atraiçoavas a tua mulher, muito mais facilmente me atraiçoarias a mim.
As mentiras sucediam-se, as desculpas que eu fingia acreditar, até aos sons, chamamentos sem resposta, etc, eu
disse sempre que sim, que tinhas razão. Não minto se disser que chorei várias vezes, ou muitas mesmo, por ser tão fraca.
Mas tu davas-me o que nunca tinha tido, e eu no fundo sentia amor por ti. Acreditava no que um dia me tinhas dito:



- que um dia já velhinhos nos encontraríamos na mesma, para trocarmos o nosso amor e carinho um pelo outro.
Fui uma autêntica adolescente apaixonada. E tu, um homem vivido com um brinquedo seguro.
Sempre ouvi dizer que a melhor defesa é o ataque, foi essa a forma que tu utilizaste desde há algum tempo.
Quando me começaste a dizer que os sites por onde eu andava eram sites de namoro e demonstraste estar com ciúmes.
Nada disso, apenas orgulho ferido. E os sites para mim nunca foram nem seram de namoro. O único que o foi, foi aquele
onde te conheci. Tenho conhecimentos, com quem troco impressões, que aliás tu sabes e podes sempre ver e ler, pois
tens todos os meus elementos dos sites onde estou. Inclusivé blog. Não tenho segredos para ti, nunca tive, embora pensasses que sim.
Muitas vezes imaginei o nosso final, não assim, com o teu silêncio, Pensei que estaríamos calmamente a conversar como bons amigos,
e a dizer um até já de amizade. Pelos vistos da tua parte nem isso restou. É pena.
Não te desejo mal algum, não, desejo que sejas muito feliz sempre. Mas pensa que a mulher sente, tem coração e sofre. Especialmente
se for uma ingénua como eu. Sabes bem como eu era, e sou.
Gostava que me respondesses. Gostava de manter contigo, já que não pode ser o que era, uma amizade sincera, Gostava de continuar
a falar contigo sempre que possível. Gostava que deixasses de parte essa tua maneira fria de me tratares, sempre que não vai haver meia noite.
Gostava...gostava...gostava... Tu és o senhor de ti. Faz o que entenderes melhor.
Se acaso eu estiver enganada, como estava na 2ªf. quando te liguei, pondera na mesma no que escrevi e diz-me.
Toda a felicidade do mundo para ti e tua família.
O beijo que sempre te dei

(Baseado num facto verídico, relatado num programa da Tv)