Ontem, hoje e amanhã!

Retratos do dia a dia!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Momentos do ano de 2014

MOMENTOS DO ANO DE 2014 JANEIRO Mês aparentemente normal FEVEREIRO Uma noite, depois de estar de joelhos a apanhar fragmentos de um objecto que se partiu, ao tentar levantar-me não consegui fazê-lo, a perna direita estava paralisada, hirta e sem conseguir posiciona-la de modo a poder andar. Permaneci sentada, depois de o meu marido me ajudar a erguer. Fiz Reiki no joelho e após alguns largos minutos, a coxear, mas consegui andar. A dor aliviou ao longo dos dias, mas nunca passou completamente. Dia 22 o meu marido fez 66 anos, foi um dia feliz. MARÇO Dia 8, dia internacional da mulher, apresentei o meu 3º livro. Diferente dos anteriores que são de poesia, este é um romance. Dia 19, dia do pai, a minha ICA fez quatro aninhos. No mesmo mês, dois dias felizes. ABRIL Dia 8 fui ao Pinhal Novo, ao programa de rádio Amantes de Poesia. Tive comigo, os meus netinhos adorados, durante dois dias, nas férias da Páscoa. Um desses dias coincidiu com o dia de aniversário do meu Rafa. Sete lindos aninhos. Dia 17 outro dia feliz. O fim-de-semana da Páscoa passei na Vidigueira. MAIO Dia 20, após tomar o meu duche habitual, ao pendurar o toalhão deu-me uma dor horrível no lado esquerdo, nem sei se foi na anca e na perna ao mesmo tempo, ou sequer sei onde foi. Paralisei e desta vez nem o Reiki me pôs a andar, por sorte, de novo o meu marido estava junto de mim. Quase ao colo conseguiu levar-me para a sala onde me sentei. As dores eram demais. Em braços fui levada para o hospital. Análises, soro, raio x à coluna, medicação para o “deve ser uma ciática”, e vai para casa. Dia 23 aniversário do meu genro. Dia 26 recebi por email um convite que dizia, e cito - ….. O CEMD foi convidado para indicar poetas, artistas plásticos e escritores ao Prémio Literarte 2014, oferecido pela Literarte (Brasil) – Associação Internacional de Escritores e Artistas……. mais a seguir …. Podemos fazer a indicação de 20 nomes em Portugal e selecionamos a S/Exa Maria Antonieta Oliveira para ser homenageada. Seguia-se depois a explicação pormenorizada do prémio em si e do evento onde seria feita a entrega do mesmo. Algo bom neste mês de Maio. JUNHO As dores horríveis insistiam em permanecer no meu corpo. As noites eram passadas sentada numa cadeira, pois na cama era insuportável estar. Mais duas idas ao hospital, soro, injecções, e volta para casa. Entretanto o médico de família mandou fazer uma TAC, ao ver o resultado confirmou ser o nervo ciático inflamado, mas também, várias outras situações. Medicou-me com outro tipo de analgésicos e anti-inflamatórios, que começaram a fazer um efeito, muito pequenino, mas que dava para sentir. Marcou então uma consulta de neuro cirurgia, pois na opinião dele, eu deveria ser operada à coluna. Dia 9 apresentação do meu romance na feira do livro em Lisboa. Acompanhada da minha canadiana, com dores insuportáveis, mas fui. Reencontrei amigos e família, que estiveram comigo no Parque Eduardo VII. Dia 17 fiz 66 anos. Continuava a coxear, tendo de andar com canadianas para ajudar nas deslocações que fazia. Nunca desisti de andar, mesmo sofrendo dores infernais. Na última semana fui até Monte Gordo convencida que o sol me ajudaria a melhorar, mas, azar o meu, nessa semana esteve frio e até choveu. Se fui coxa e com dores, na mesma vim, ou pior ainda. JULHO Nas duas primeiras semanas quase consegui esquecer as dores, o motivo desta quase melhoria, foi a presença dos meninos mais lindos do mundo, os meus amores, os meus netinhos. No quintal, com sol e alegria, brincaram, saltaram, mergulharam, sujaram-se, e tudo o mais, que dois irmãos que se amam podem fazer. Eu, sentada na cadeira tomava conta de tudo, por vezes tinha que refilar, mas fazia parte do meu papel de avó. Fiz de fotógrafa, de avó e de amiga. Os meus meninos foram maravilhosos comigo, tentando sempre ajudar-me. Entretanto, a minha filha chegou a acordo com a firma para onde trabalhava já há 14 anos, e ficou desempregada. A Ica e o Rafa ficaram em casa com a mãe, e assim as férias com a avó acabaram. AGOSTO Dia 18 a minha querida filha fez anos. Finalmente, tive a consulta de neuro cirurgia no hospital de Sta. Maria. O médico ao olhar para a TAC, sorria, e simpaticamente dizia-me: - a senhora tem de tudo muito, muitas hérnias, muitas artroses, muitos bicos de papagaio, enfim, não sei que lhe diga, isto é mesmo para ir à faca. A minha cabeça oscilou para a esquerda e para a direita sem parar. Ele olhou e sorriu. Diga-me uma coisa, continuou, como se está a dar com a medicação? Sente alguma melhoria? Acha que se vai aguentar mais uns tempos, sem descorar esses medicamentos, e ficamos por aqui, agora? Claro, retorqui eu, aliás eu já tinha dito ao meu marido e à minha filha, que não queria ser operada. Respirei fundo aliviada. As dores não me davam espaço a esquecimentos, mas eram preferíveis à incógnita de uma operação à coluna. SETEMBRO Dia 1 partida para Vila Nova de Milfontes, eu, o avô Vitó e o nosso Rafito. Entre muita tralha, a bengala também foi, mas graças a Deus não fez falta. Manhãs de praia, tardes de piscina, passeios pela vila, gelados da Mabi, idas e vindas de comboio, e o fim-de-semana aproximou-se. Na sexta-feira chegaram a minha filhota, o meu genrito e a minha princesa Ica. Foi um fim-de-semana muito bom. Ao final de domingo o meu príncipe ficou dividido entre os pais e os avós, entre ficar ou vir embora. Ganharam os pais e a Ica. Eu e o Vitó ficámos apenas mais três dias, na quarta-feira viemos para cima, por acaso foi o dia em que recomeçou a chuva. Foram dias maravilhosos, onde as dores quase ficaram esquecidas. Quando cheguei e tive tempo para abrir os emails, vi um datado de 8 de Setembro, que dizia, e cito: - Com muito orgulho e alegria informamos que em assembleia extraordinária no dia 20 de Agosto de 2014, o seu nome foi aprovado por unanimidade por nossa diretoria, para ingressar no quadro de Académicos Correspondentes d nossa instituição. Sua presença na ALG (Academia de Letras e Artes de Góias), nos honra e nos enche de alegria na certeza de que estamos formando um belo laço fraterno dentro da arte e da cultura nacional. Fim de citação. Seguiam-se todos os detalhes inerentes. Na última semana, o meu marido estava em cima de um escadote que se fechou e ele caiu. Pormenor aparentemente, sem importância. OUTUBRO A Nany ( a minha cadela), ficou doente, teve que ser assistida pela veterinária. Na primeira consulta fomos dois com ela, pois é enorme e pesa quase 30kg. É difícil ir com ela a pé, é muito irrequieta e desobediente, levamo-la sempre no banco detrás do carro. Na segunda consulta, eu não pude ir, pelo que foi o meu marido a pé com ela, quando regressou estava muito cansado e cheio de dores nas costas. Gradualmente as dores foram aumentando tornando-se insuportáveis. Ele que é alérgico aos hospitais, no dia 20 aceitou a minha opinião e foi mesmo. Um raio x à coluna, confirmou o que se supunha, é mesmo problemas de coluna. Medicação e casa. Nada melhorou, em vez disso as dores aumentaram. NOVEMBRO Dia 3 quando o meu marido se dirigiu ao quarto para se deitar, deu-lhe uma dor, que o fez gritar agarrado ao roupeiro sem se poder mexer. Telefonei de imediato para o 112 que me enviou uma ambulância, onde foi transportado de novo, para o hospital. Foi atendido de imediato e a primeira opinião foi que se tratava de uma cólica renal. Fez análises que confirmaram o previsto. Medicação e casa. As dores desta vez estavam a gostar dele, tal como antes tinham gostado de mim. Ida ao médico de família que mandou fazer uma TAC abdominal. Não acusou nada de especial, para além da próstata ligeiramente maior do que o normal. Medicação para isso, e a outra medicação alterada visto a anterior não estar a fazer nada. Esta alteração na medicação provocou-lhe uma erupção cutânea, com bolhas enormes pelo corpo todo, agora para além das dores tinha também comichões horrorosas. Entretanto para além das dores, o meu marido estava inchadíssimo, tinha uma barriga enorme, parecia uma mulher grávida de 7 meses. Dia 11 nova ida ao hospital, as dores eram mais que muitas e as babas, bolhas e comichões também. Análises e soro com um antidoto. As análises nada acusaram, então qual o motivo das dores não passarem? Deve ter sido a pedra ao ser expelida feriu algo por dentro e daí as dores. Medicação e casa. Dia 13 recebi o convite de um amigo para fazer a apresentação do seu próximo livro, hesitei, mas acabei por aceitar. Foi uma honra. Dia 15 almoço de confraternização com algumas das amigas, ex-colegas de trabalho, reencontradas através do Facebook No final do mês, nova ida ao hospital, desta vez já não tinha a ver com a pedra, ou com a cólica, não, voltámos ao problema na coluna. Soro, medicação e casa. Ida ao médico de família que mandou fazer uma TAC à coluna. No final do mês recebi um convite para ir ler poesia, no dia 10 de Dezembro, numa escola secundária no Forte da Casa. DEZEMBRO Dia 1 quarta ida ao hospital. Desta vez, o médico coitado foi interrompido, estava tão entretido a ver o resumo dos jogos que nem deu pela nossa chegada, atrapalhado clicou rapidamente, e outra janela se abriu. O que vem cá fazer? O seu médico da família ainda não lhe mandou fazer uma TAC? Já sim, mas eu não aguento mais tanta dor. Soro, e quando acabar vá para casa. Tudo isto já era insuportável quer para o meu marido quer para mim, que o via a piorar de dia para dia, sem que nada fosse feito. E eu, também sem nada poder fazer. As minhas dores mais ou menos adormecidas, começaram a querer acordar, é natural passei a fazer sozinha o que antes fazíamos a dois, e, durante a minha ciática estar em actividade a 100%, era só o meu marido a fazer tudo, pois na altura eu estava impossibilitada de o fazer. Tinha que me esquecer de mim, a prioridade era o meu marido. Dia 9 até agora, a última ida ao hospital. Oito horas de espera. Demasiado horrível para quem está desesperado com tanta dor. Entravam e saiam pessoas com problemas. Passaram pela sala onde nos encontrávamos à espera quatro cadáveres. Não se admitem situações destas, mas aconteceram e continuam a acontecer. Dia 10 o marido foi fazer a TAC, no dia que supostamente estaria pronta, não se encontrava no balcão de entrega. Estranho! Não, nada estranho, apenas o médico que a fez queria falar com o meu marido. Queria saber se ele tinha tido algum acidente, se tinha caído, isto tudo, porque tinha uma vértebra fracturada. Não tinha tido acidente algum, graças a Deus, e também não tinha caído. Até tinha no final de Setembro, tinha caído do escadote, pois é. Com a TAC em meu poder fui falar com o médico de família, encontrei-o no corredor e contei-lhe o que se tinha passado. Nem sequer quis ver o relatório, disse apenas – vá a uma urgência de neuro cirurgia, ali no guiché dizem-lhe quais os hospitais que têm urgência dessa especialidade, e depois, diga-me qualquer coisa. Fantástico! Através do nosso seguro consegui de imediato uma consulta. O médico analisou ao pormenor a TAC e ficou com dúvidas se a vértebra estaria na realidade fracturada, como tal, mandou fazer uma ressonância magnética. Também através do seguro, foi feita dois dias depois. Dia 20 apresentação do sexto livro do meu amigo poeta. Correu bem, apenas aqueles que me conhecem bem notaram que eu estava triste, muito triste. O autor, o poeta, o amigo, não se apercebeu, felizmente. Como tudo tem corrido bem em relação ao problema do meu marido, o médico neuro cirurgião só dá consulta às quintas-feiras, e como o Natal calhou a uma quinta-feira, e aproxima será o dia de ano novo, só no dia 8 de Janeiro, já em 2015, saberá o que vem a seguir. Entretanto o sofrimento dele e o meu continuam, cada um de seu modo. Dia 25 dia de Natal, a filha, o genro, os netos, um cunhado e a sua mulher, passaram o dia connosco. Dia feliz. Balanço: o negativo superou o positivo! Maria Antonieta Oliveira 31-12-2014 19 horas e 27 minutos

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Fim de Semana em Sta. Justa

FIM DE SEMANA EM STA. JUSTA Era uma manhã de sábado, soalheira, num tempo incerto de Agosto. Saímos rumo a Sta. Justa, uma aldeia ribatejana, a raiar o Alentejo. Pequena, asseada e com vida, onde todos se conhecem e cumprimentam. Logo a seguir ao almoço, depois do carrega e descarrega, e porque o calor não abrasava, sim, a mana não gosta de muito calor, ao contrário de mim, que sou friorenta, e adoro o verão, o sol e o calor, fomos até Mora, já no Alentejo. Visitámos o fluviário, onde nenhum de nós ainda tinha entrado. Depois de pagarmos, aí vamos nós numa viagem pela vida nas águas. Variadas espécies, recantos bem passados. Divertimos-nos com algumas, outras nem por isso. Cá fora as lontras faziam um bailado, dentro e fora de água, parecia que nos queriam presentear agradecendo pela nossa visita. Depois de sairmos, fomos até à praia fluvial, onde nos refrescámos por dentro, cada um com bebida a seu gosto, todas fresquinhas, e por fora com uma aragem fresquinha vinda do rio Raia. Na praia gente se relaxava, no rio gente navegava. Nós olhávamos e passeávamos. De regresso à aldeia um bom jantar, feito pela mana, uma optima cozinheira, um saboroso bacalhau com natas, seguido de um arroz doce, feito por mim, que a mana apenas gostou porque estava fresquinho, é que tinha pouco açúcar para o seu gosto, tudo regado com vinho tinto. Depois do repasto, fomos tomar um cafezinho e dar uma volta à aldeia, na frescura de uma noite calma e tranquila. Já em casa, e como não podia deixar de ser, fomos cuscar o facebook. A mana andou por outros lugares da internet, enquanto os homens, estavam na sala vendo televisão e falando sobre diversos temas. A noite caia, o sono e o cansaço apoderavam-se de todos. Então, xixi cama. Amanheceu cedo, a ninguém apetecia estar na cama. Depois de um pequeno-almoço de príncipes, que apenas por mero acaso não foi levado à cama, fomos beber o café da manhã, no mesmo local onde na véspera tínhamos estado. Um local acolhedor de gente boa, Voltamos a caminhar pela linda aldeia de Sta. Justa, indo a locais onde o verde e a água das fontes davam azo ao amor. Quantos encontros não terão acontecido por ali?! Quantos amores não foram trocados?! Quantos beijos não foram dados?! A fotógrafa de serviço, feliz da vida ia carregando no botão. Eis senão quando, a máquina pifou. E agora??? Agora acabou a sessão. Regressamos ao solar da mana, arrumamos a tralha, fomos à tia do cunhado buscar uns tomates doados, com muito bom aspecto, e, cada um no seu transporte, dirigimos-nos ao Couço. Pertinho, pertinho da aldeia de Sta. Justa. Aí entramos num restaurante recomendado pela sobrinha mais velha, onde nos regalamos com secretos de porco preto, salada, arroz branco e batatas fritas, regado com vinho tinto da Vidigueira. Para finalizar a mana insistiu em comer um doce, e pronto, lá fiz o esforço de comer também. Um cafezinho com um aroma saudável e, de volta aos carros. Rumo a Lisboa. Depois de nos despedirmos uns entre os outros, beijinhos e abraços, e, cada um seguiu o caminho do seu lar. E assim, terminou um fim-de-semana para recordar pela amizade, pelo carinho, pelo verde, pela água, por todo o envolvimento com a vida. Maria Antonieta Oliveira 26-08-2014