Ontem, hoje e amanhã!

Retratos do dia a dia!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Eu

EU Olho para trás e nada vejo Um caminho sem interesse, vivendo sem viver, com tudo e sem nada . Incertezas e indecisões, e os dias foram passando, meses e anos e tudo igual, ou desigual, depende do ponto de vista. Fracassos atrás de fracassos, porque nuca tive coragem de agir . Sempre fui fraca, sem vontade própria, deixei-me levar à vontade dos outros, sempre, sempre. Primeiro com a minha mãe, depois com o marido, também no trabalho. Fraca! Fraca! Um monte de merda sem vida, fui eu sempre. Nunca realizei os meus sonhos, sempre chegaram tarde demais. Nunca cheguei a lado algum, nunca me deixaram ser eu. Vivi, passeei, comi e bebi, vesti e calcei bem, mas o que fui?! Nada! Absolutamente nada! Perdi tudo do pouco que consegui. Hoje vivo a contar os dias que faltam para receber o pouco que já está gasto antes desse mesmo dia. Complicado viver assim. Como filha o que fui? - Na maioria das vezes não fui boa filha para com a minha mãe, sei porque agi assim, mas não o devia ter feito. Senti-me sempre prisioneira enquanto adolescente, isso marcou-me ao longo de toda a vida. Para com o meu pai penso que agi sempre de acordo com o amor que trocávamos apenas com um olhar. A minha mãe sentia ciúmes de nós. Hoje tenho pena de não poder voltar atrás e dar todo o carinho e amor que a minha mãe também merecia. Tudo o que fez foi pensando ser o melhor para mim. Como mãe o que fui e sou? – Fui uma mãe permissiva demais, não soube impor o respeito que me era devido. Também agi mal, eu sei, em relação ao primeiro namoro e consequente casamento, já pedi perdão à minha filha. Hoje penso ser a mãe-amiga e conselheira. Boa e de novo permissiva demais. Estou sempre pronta para tudo o que me é possível fazer para a ajudar e ver feliz. Mas nem sempre o consigo, por vezes há uma distância entre nós que não consigo ultrapassar, sinto-a longe de mim. Como profissional o que fui? – Fui uma profissional competente. Apreciada por todos os meus superiores e invejada por todos os que me rodeavam e sempre me tentaram tramar. Tentaram e conseguiram, pois nunca cheguei onde devia e onde era vontade de quase todos os superiores, com excepção da única que se deixava levar por uma inferior a ela mas que sabia demais sobre a mesma e a empresa. Fui indicada para vários lugares de chefia, porque sabiam que eu era capaz de os desempenhar sem quaisquer problemas, mas nunca chegaram a vias de facto, embora se usassem das minhas capacidades sempre que era necessário. Fui chefe sem o ser legalmente. Não lutei, porque se o fizesse tinha conseguido pois também eu tinha muitos trunfos na manga. Fui fraca. E como mulher o que fui e o que sou? – Casei sem saber se amava ou não o meu marido. Sabia que tinha pena da situação em que ele se encontrava, sem tecto, sem afecto, aliás, isso nunca tinha tido da parte dos pais, não tinha nada. Dei-lhe tudo o que ele não tinha e sentia que o fazia feliz. Deixei-me levar num dia-a-dia de me doar sem receber o mesmo em troca. “Gosto de ti à minha maneira” “Tu sabes que gosto de ti” , e o resto? Onde ficou tudo o que não tive? O trabalho, os supostos amigos ocupavam algum do tempo que me pertencia, que era meu por direito e também da nossa filha. A minha revolta era demonstrada com mau humor que se refletia também para com a minha filha e a minha mãe. Errei. Sim errei também nisso. Depois era-me dito que eu tinha mau feitio, que era embirrante, e na realidade até era, mas por detrás estava o ambiente que só eu sabia, pois nunca desabafei com ninguém, nunca disse fosse o que fosse de mal sobre o meu marido, portanto, eu era e sempre fui a má da fita, ele o bonzinho. Amava-me e ama-me, é verdade, e o resto, onde ficava e fica o resto? Sempre tive um bom ordenado, acima da média, mas nunca consegui poupar dinheiro, pois tinha de fazer face a todas as despesas do dia-a-dia, pois “a oficina nunca tinha dinheiro”, e se queria ir de férias era eu que tinha de pagar. Também era eu que comprava todas as prendas de Natal para todos os elementos da família. E comprava tudo o que era necessário para as festas de aniversário. Era eu, e eu, e mais eu, porque “a oficina não tem dinheiro”. Nunca lutei, nunca me impus, nunca disse CHEGA! Do que tive medo para lutar? O que me impediu de ser feliz e lutar por aquilo que desejava e ao fim e ao cabo até merecia? Fracassei! Toda a minha vida foi um fracasso! E agora depois de estar em casa todos os dias, 24 horas seguidas de outras tantas, é horrível. Sinto-me de novo presa, prisioneira de mim mesma que continuo a não me conseguir libertar. Preciso de espaço. Não tenho espaço nem sequer para viver ou respirar. Preciso de liberdade. Quero viver o pouco tempo que me resta de vida. E eu o que fui e o que sou? – Uma frustrada, fracassada, que olha para trás e não vê nada. Aonde fiquei? Perdida na vida dos outros. Aonde estou? Na vida dos meus netos, onde me sinto realizada. Onde brinco como nunca brinquei e sou a menina que nunca fui. Com respeito e alegria somos felizes quando estamos juntos e felizes na ausência com as lembranças boas dos momentos só nossos que partilhamos em loucuras de meninos. Maria Antonieta B. Alentado Oliveira 26-02-2017 – 00h 46m EU Olho para trás e nada vejo Um caminho sem interesse, vivendo sem viver, com tudo e sem nada . Incertezas e indecisões, e os dias foram passando, meses e anos e tudo igual, ou desigual, depende do ponto de vista. Fracassos atrás de fracassos, porque nuca tive coragem de agir . Sempre fui fraca, sem vontade própria, deixei-me levar à vontade dos outros, sempre, sempre. Primeiro com a minha mãe, depois com o marido, também no trabalho. Fraca! Fraca! Um monte de merda sem vida, fui eu sempre. Nunca realizei os meus sonhos, sempre chegaram tarde demais. Nunca cheguei a lado algum, nunca me deixaram ser eu. Vivi, passeei, comi e bebi, vesti e calcei bem, mas o que fui?! Nada! Absolutamente nada! Perdi tudo do pouco que consegui. Hoje vivo a contar os dias que faltam para receber o pouco que já está gasto antes desse mesmo dia. Complicado viver assim. Como filha o que fui? - Na maioria das vezes não fui boa filha para com a minha mãe, sei porque agi assim, mas não o devia ter feito. Senti-me sempre prisioneira enquanto adolescente, isso marcou-me ao longo de toda a vida. Para com o meu pai penso que agi sempre de acordo com o amor que trocávamos apenas com um olhar. A minha mãe sentia ciúmes de nós. Hoje tenho pena de não poder voltar atrás e dar todo o carinho e amor que a minha mãe também merecia. Tudo o que fez foi pensando ser o melhor para mim. Como mãe o que fui e sou? – Fui uma mãe permissiva demais, não soube impor o respeito que me era devido. Também agi mal, eu sei, em relação ao primeiro namoro e consequente casamento, já pedi perdão à minha filha. Hoje penso ser a mãe-amiga e conselheira. Boa e de novo permissiva demais. Estou sempre pronta para tudo o que me é possível fazer para a ajudar e ver feliz. Mas nem sempre o consigo, por vezes há uma distância entre nós que não consigo ultrapassar, sinto-a longe de mim. Como profissional o que fui? – Fui uma profissional competente. Apreciada por todos os meus superiores e invejada por todos os que me rodeavam e sempre me tentaram tramar. Tentaram e conseguiram, pois nunca cheguei onde devia e onde era vontade de quase todos os superiores, com excepção da única que se deixava levar por uma inferior a ela mas que sabia demais sobre a mesma e a empresa. Fui indicada para vários lugares de chefia, porque sabiam que eu era capaz de os desempenhar sem quaisquer problemas, mas nunca chegaram a vias de facto, embora se usassem das minhas capacidades sempre que era necessário. Fui chefe sem o ser legalmente. Não lutei, porque se o fizesse tinha conseguido pois também eu tinha muitos trunfos na manga. Fui fraca. E como mulher o que fui e o que sou? – Casei sem saber se amava ou não o meu marido. Sabia que tinha pena da situação em que ele se encontrava, sem tecto, sem afecto, aliás, isso nunca tinha tido da parte dos pais, não tinha nada. Dei-lhe tudo o que ele não tinha e sentia que o fazia feliz. Deixei-me levar num dia-a-dia de me doar sem receber o mesmo em troca. “Gosto de ti à minha maneira” “Tu sabes que gosto de ti” , e o resto? Onde ficou tudo o que não tive? O trabalho, os supostos amigos ocupavam algum do tempo que me pertencia, que era meu por direito e também da nossa filha. A minha revolta era demonstrada com mau humor que se refletia também para com a minha filha e a minha mãe. Errei. Sim errei também nisso. Depois era-me dito que eu tinha mau feitio, que era embirrante, e na realidade até era, mas por detrás estava o ambiente que só eu sabia, pois nunca desabafei com ninguém, nunca disse fosse o que fosse de mal sobre o meu marido, portanto, eu era e sempre fui a má da fita, ele o bonzinho. Amava-me e ama-me, é verdade, e o resto, onde ficava e fica o resto? Sempre tive um bom ordenado, acima da média, mas nunca consegui poupar dinheiro, pois tinha de fazer face a todas as despesas do dia-a-dia, pois “a oficina nunca tinha dinheiro”, e se queria ir de férias era eu que tinha de pagar. Também era eu que comprava todas as prendas de Natal para todos os elementos da família. E comprava tudo o que era necessário para as festas de aniversário. Era eu, e eu, e mais eu, porque “a oficina não tem dinheiro”. Nunca lutei, nunca me impus, nunca disse CHEGA! Do que tive medo para lutar? O que me impediu de ser feliz e lutar por aquilo que desejava e ao fim e ao cabo até merecia? Fracassei! Toda a minha vida foi um fracasso! E agora depois de estar em casa todos os dias, 24 horas seguidas de outras tantas, é horrível. Sinto-me de novo presa, prisioneira de mim mesma que continuo a não me conseguir libertar. Preciso de espaço. Não tenho espaço nem sequer para viver ou respirar. Preciso de liberdade. Quero viver o pouco tempo que me resta de vida. E eu o que fui e o que sou? – Uma frustrada, fracassada, que olha para trás e não vê nada. Aonde fiquei? Perdida na vida dos outros. Aonde estou? Na vida dos meus netos, onde me sinto realizada. Onde brinco como nunca brinquei e sou a menina que nunca fui. Com respeito e alegria somos felizes quando estamos juntos e felizes na ausência com as lembranças boas dos momentos só nossos que partilhamos em loucuras de meninos. Maria Antonieta B. Alentado Oliveira 26-02-2017 – 00h 46m EU Olho para trás e nada vejo Um caminho sem interesse, vivendo sem viver, com tudo e sem nada . Incertezas e indecisões, e os dias foram passando, meses e anos e tudo igual, ou desigual, depende do ponto de vista. Fracassos atrás de fracassos, porque nuca tive coragem de agir . Sempre fui fraca, sem vontade própria, deixei-me levar à vontade dos outros, sempre, sempre. Primeiro com a minha mãe, depois com o marido, também no trabalho. Fraca! Fraca! Um monte de merda sem vida, fui eu sempre. Nunca realizei os meus sonhos, sempre chegaram tarde demais. Nunca cheguei a lado algum, nunca me deixaram ser eu. Vivi, passeei, comi e bebi, vesti e calcei bem, mas o que fui?! Nada! Absolutamente nada! Perdi tudo do pouco que consegui. Hoje vivo a contar os dias que faltam para receber o pouco que já está gasto antes desse mesmo dia. Complicado viver assim. Como filha o que fui? - Na maioria das vezes não fui boa filha para com a minha mãe, sei porque agi assim, mas não o devia ter feito. Senti-me sempre prisioneira enquanto adolescente, isso marcou-me ao longo de toda a vida. Para com o meu pai penso que agi sempre de acordo com o amor que trocávamos apenas com um olhar. A minha mãe sentia ciúmes de nós. Hoje tenho pena de não poder voltar atrás e dar todo o carinho e amor que a minha mãe também merecia. Tudo o que fez foi pensando ser o melhor para mim. Como mãe o que fui e sou? – Fui uma mãe permissiva demais, não soube impor o respeito que me era devido. Também agi mal, eu sei, em relação ao primeiro namoro e consequente casamento, já pedi perdão à minha filha. Hoje penso ser a mãe-amiga e conselheira. Boa e de novo permissiva demais. Estou sempre pronta para tudo o que me é possível fazer para a ajudar e ver feliz. Mas nem sempre o consigo, por vezes há uma distância entre nós que não consigo ultrapassar, sinto-a longe de mim. Como profissional o que fui? – Fui uma profissional competente. Apreciada por todos os meus superiores e invejada por todos os que me rodeavam e sempre me tentaram tramar. Tentaram e conseguiram, pois nunca cheguei onde devia e onde era vontade de quase todos os superiores, com excepção da única que se deixava levar por uma inferior a ela mas que sabia demais sobre a mesma e a empresa. Fui indicada para vários lugares de chefia, porque sabiam que eu era capaz de os desempenhar sem quaisquer problemas, mas nunca chegaram a vias de facto, embora se usassem das minhas capacidades sempre que era necessário. Fui chefe sem o ser legalmente. Não lutei, porque se o fizesse tinha conseguido pois também eu tinha muitos trunfos na manga. Fui fraca. E como mulher o que fui e o que sou? – Casei sem saber se amava ou não o meu marido. Sabia que tinha pena da situação em que ele se encontrava, sem tecto, sem afecto, aliás, isso nunca tinha tido da parte dos pais, não tinha nada. Dei-lhe tudo o que ele não tinha e sentia que o fazia feliz. Deixei-me levar num dia-a-dia de me doar sem receber o mesmo em troca. “Gosto de ti à minha maneira” “Tu sabes que gosto de ti” , e o resto? Onde ficou tudo o que não tive? O trabalho, os supostos amigos ocupavam algum do tempo que me pertencia, que era meu por direito e também da nossa filha. A minha revolta era demonstrada com mau humor que se refletia também para com a minha filha e a minha mãe. Errei. Sim errei também nisso. Depois era-me dito que eu tinha mau feitio, que era embirrante, e na realidade até era, mas por detrás estava o ambiente que só eu sabia, pois nunca desabafei com ninguém, nunca disse fosse o que fosse de mal sobre o meu marido, portanto, eu era e sempre fui a má da fita, ele o bonzinho. Amava-me e ama-me, é verdade, e o resto, onde ficava e fica o resto? Sempre tive um bom ordenado, acima da média, mas nunca consegui poupar dinheiro, pois tinha de fazer face a todas as despesas do dia-a-dia, pois “a oficina nunca tinha dinheiro”, e se queria ir de férias era eu que tinha de pagar. Também era eu que comprava todas as prendas de Natal para todos os elementos da família. E comprava tudo o que era necessário para as festas de aniversário. Era eu, e eu, e mais eu, porque “a oficina não tem dinheiro”. Nunca lutei, nunca me impus, nunca disse CHEGA! Do que tive medo para lutar? O que me impediu de ser feliz e lutar por aquilo que desejava e ao fim e ao cabo até merecia? Fracassei! Toda a minha vida foi um fracasso! E agora depois de estar em casa todos os dias, 24 horas seguidas de outras tantas, é horrível. Sinto-me de novo presa, prisioneira de mim mesma que continuo a não me conseguir libertar. Preciso de espaço. Não tenho espaço nem sequer para viver ou respirar. Preciso de liberdade. Quero viver o pouco tempo que me resta de vida. E eu o que fui e o que sou? – Uma frustrada, fracassada, que olha para trás e não vê nada. Aonde fiquei? Perdida na vida dos outros. Aonde estou? Na vida dos meus netos, onde me sinto realizada. Onde brinco como nunca brinquei e sou a menina que nunca fui. Com respeito e alegria somos felizes quando estamos juntos e felizes na ausência com as lembranças boas dos momentos só nossos que partilhamos em loucuras de meninos. Maria Antonieta B. Alentado Oliveira 26-02-2017 – 00h 46m EU Olho para trás e nada vejo Um caminho sem interesse, vivendo sem viver, com tudo e sem nada . Incertezas e indecisões, e os dias foram passando, meses e anos e tudo igual, ou desigual, depende do ponto de vista. Fracassos atrás de fracassos, porque nuca tive coragem de agir . Sempre fui fraca, sem vontade própria, deixei-me levar à vontade dos outros, sempre, sempre. Primeiro com a minha mãe, depois com o marido, também no trabalho. Fraca! Fraca! Um monte de merda sem vida, fui eu sempre. Nunca realizei os meus sonhos, sempre chegaram tarde demais. Nunca cheguei a lado algum, nunca me deixaram ser eu. Vivi, passeei, comi e bebi, vesti e calcei bem, mas o que fui?! Nada! Absolutamente nada! Perdi tudo do pouco que consegui. Hoje vivo a contar os dias que faltam para receber o pouco que já está gasto antes desse mesmo dia. Complicado viver assim. Como filha o que fui? - Na maioria das vezes não fui boa filha para com a minha mãe, sei porque agi assim, mas não o devia ter feito. Senti-me sempre prisioneira enquanto adolescente, isso marcou-me ao longo de toda a vida. Para com o meu pai penso que agi sempre de acordo com o amor que trocávamos apenas com um olhar. A minha mãe sentia ciúmes de nós. Hoje tenho pena de não poder voltar atrás e dar todo o carinho e amor que a minha mãe também merecia. Tudo o que fez foi pensando ser o melhor para mim. Como mãe o que fui e sou? – Fui uma mãe permissiva demais, não soube impor o respeito que me era devido. Também agi mal, eu sei, em relação ao primeiro namoro e consequente casamento, já pedi perdão à minha filha. Hoje penso ser a mãe-amiga e conselheira. Boa e de novo permissiva demais. Estou sempre pronta para tudo o que me é possível fazer para a ajudar e ver feliz. Mas nem sempre o consigo, por vezes há uma distância entre nós que não consigo ultrapassar, sinto-a longe de mim. Como profissional o que fui? – Fui uma profissional competente. Apreciada por todos os meus superiores e invejada por todos os que me rodeavam e sempre me tentaram tramar. Tentaram e conseguiram, pois nunca cheguei onde devia e onde era vontade de quase todos os superiores, com excepção da única que se deixava levar por uma inferior a ela mas que sabia demais sobre a mesma e a empresa. Fui indicada para vários lugares de chefia, porque sabiam que eu era capaz de os desempenhar sem quaisquer problemas, mas nunca chegaram a vias de facto, embora se usassem das minhas capacidades sempre que era necessário. Fui chefe sem o ser legalmente. Não lutei, porque se o fizesse tinha conseguido pois também eu tinha muitos trunfos na manga. Fui fraca. E como mulher o que fui e o que sou? – Casei sem saber se amava ou não o meu marido. Sabia que tinha pena da situação em que ele se encontrava, sem tecto, sem afecto, aliás, isso nunca tinha tido da parte dos pais, não tinha nada. Dei-lhe tudo o que ele não tinha e sentia que o fazia feliz. Deixei-me levar num dia-a-dia de me doar sem receber o mesmo em troca. “Gosto de ti à minha maneira” “Tu sabes que gosto de ti” , e o resto? Onde ficou tudo o que não tive? O trabalho, os supostos amigos ocupavam algum do tempo que me pertencia, que era meu por direito e também da nossa filha. A minha revolta era demonstrada com mau humor que se refletia também para com a minha filha e a minha mãe. Errei. Sim errei também nisso. Depois era-me dito que eu tinha mau feitio, que era embirrante, e na realidade até era, mas por detrás estava o ambiente que só eu sabia, pois nunca desabafei com ninguém, nunca disse fosse o que fosse de mal sobre o meu marido, portanto, eu era e sempre fui a má da fita, ele o bonzinho. Amava-me e ama-me, é verdade, e o resto, onde ficava e fica o resto? Sempre tive um bom ordenado, acima da média, mas nunca consegui poupar dinheiro, pois tinha de fazer face a todas as despesas do dia-a-dia, pois “a oficina nunca tinha dinheiro”, e se queria ir de férias era eu que tinha de pagar. Também era eu que comprava todas as prendas de Natal para todos os elementos da família. E comprava tudo o que era necessário para as festas de aniversário. Era eu, e eu, e mais eu, porque “a oficina não tem dinheiro”. Nunca lutei, nunca me impus, nunca disse CHEGA! Do que tive medo para lutar? O que me impediu de ser feliz e lutar por aquilo que desejava e ao fim e ao cabo até merecia? Fracassei! Toda a minha vida foi um fracasso! E agora depois de estar em casa todos os dias, 24 horas seguidas de outras tantas, é horrível. Sinto-me de novo presa, prisioneira de mim mesma que continuo a não me conseguir libertar. Preciso de espaço. Não tenho espaço nem sequer para viver ou respirar. Preciso de liberdade. Quero viver o pouco tempo que me resta de vida. E eu o que fui e o que sou? – Uma frustrada, fracassada, que olha para trás e não vê nada. Aonde fiquei? Perdida na vida dos outros. Aonde estou? Na vida dos meus netos, onde me sinto realizada. Onde brinco como nunca brinquei e sou a menina que nunca fui. Com respeito e alegria somos felizes quando estamos juntos e felizes na ausência com as lembranças boas dos momentos só nossos que partilhamos em loucuras de meninos. Maria Antonieta B. Alentado Oliveira 26-02-2017 – 00h 46m EU Olho para trás e nada vejo Um caminho sem interesse, vivendo sem viver, com tudo e sem nada . Incertezas e indecisões, e os dias foram passando, meses e anos e tudo igual, ou desigual, depende do ponto de vista. Fracassos atrás de fracassos, porque nuca tive coragem de agir . Sempre fui fraca, sem vontade própria, deixei-me levar à vontade dos outros, sempre, sempre. Primeiro com a minha mãe, depois com o marido, também no trabalho. Fraca! Fraca! Um monte de merda sem vida, fui eu sempre. Nunca realizei os meus sonhos, sempre chegaram tarde demais. Nunca cheguei a lado algum, nunca me deixaram ser eu. Vivi, passeei, comi e bebi, vesti e calcei bem, mas o que fui?! Nada! Absolutamente nada! Perdi tudo do pouco que consegui. Hoje vivo a contar os dias que faltam para receber o pouco que já está gasto antes desse mesmo dia. Complicado viver assim. Como filha o que fui? - Na maioria das vezes não fui boa filha para com a minha mãe, sei porque agi assim, mas não o devia ter feito. Senti-me sempre prisioneira enquanto adolescente, isso marcou-me ao longo de toda a vida. Para com o meu pai penso que agi sempre de acordo com o amor que trocávamos apenas com um olhar. A minha mãe sentia ciúmes de nós. Hoje tenho pena de não poder voltar atrás e dar todo o carinho e amor que a minha mãe também merecia. Tudo o que fez foi pensando ser o melhor para mim. Como mãe o que fui e sou? – Fui uma mãe permissiva demais, não soube impor o respeito que me era devido. Também agi mal, eu sei, em relação ao primeiro namoro e consequente casamento, já pedi perdão à minha filha. Hoje penso ser a mãe-amiga e conselheira. Boa e de novo permissiva demais. Estou sempre pronta para tudo o que me é possível fazer para a ajudar e ver feliz. Mas nem sempre o consigo, por vezes há uma distância entre nós que não consigo ultrapassar, sinto-a longe de mim. Como profissional o que fui? – Fui uma profissional competente. Apreciada por todos os meus superiores e invejada por todos os que me rodeavam e sempre me tentaram tramar. Tentaram e conseguiram, pois nunca cheguei onde devia e onde era vontade de quase todos os superiores, com excepção da única que se deixava levar por uma inferior a ela mas que sabia demais sobre a mesma e a empresa. Fui indicada para vários lugares de chefia, porque sabiam que eu era capaz de os desempenhar sem quaisquer problemas, mas nunca chegaram a vias de facto, embora se usassem das minhas capacidades sempre que era necessário. Fui chefe sem o ser legalmente. Não lutei, porque se o fizesse tinha conseguido pois também eu tinha muitos trunfos na manga. Fui fraca. E como mulher o que fui e o que sou? – Casei sem saber se amava ou não o meu marido. Sabia que tinha pena da situação em que ele se encontrava, sem tecto, sem afecto, aliás, isso nunca tinha tido da parte dos pais, não tinha nada. Dei-lhe tudo o que ele não tinha e sentia que o fazia feliz. Deixei-me levar num dia-a-dia de me doar sem receber o mesmo em troca. “Gosto de ti à minha maneira” “Tu sabes que gosto de ti” , e o resto? Onde ficou tudo o que não tive? O trabalho, os supostos amigos ocupavam algum do tempo que me pertencia, que era meu por direito e também da nossa filha. A minha revolta era demonstrada com mau humor que se refletia também para com a minha filha e a minha mãe. Errei. Sim errei também nisso. Depois era-me dito que eu tinha mau feitio, que era embirrante, e na realidade até era, mas por detrás estava o ambiente que só eu sabia, pois nunca desabafei com ninguém, nunca disse fosse o que fosse de mal sobre o meu marido, portanto, eu era e sempre fui a má da fita, ele o bonzinho. Amava-me e ama-me, é verdade, e o resto, onde ficava e fica o resto? Sempre tive um bom ordenado, acima da média, mas nunca consegui poupar dinheiro, pois tinha de fazer face a todas as despesas do dia-a-dia, pois “a oficina nunca tinha dinheiro”, e se queria ir de férias era eu que tinha de pagar. Também era eu que comprava todas as prendas de Natal para todos os elementos da família. E comprava tudo o que era necessário para as festas de aniversário. Era eu, e eu, e mais eu, porque “a oficina não tem dinheiro”. Nunca lutei, nunca me impus, nunca disse CHEGA! Do que tive medo para lutar? O que me impediu de ser feliz e lutar por aquilo que desejava e ao fim e ao cabo até merecia? Fracassei! Toda a minha vida foi um fracasso! E agora depois de estar em casa todos os dias, 24 horas seguidas de outras tantas, é horrível. Sinto-me de novo presa, prisioneira de mim mesma que continuo a não me conseguir libertar. Preciso de espaço. Não tenho espaço nem sequer para viver ou respirar. Preciso de liberdade. Quero viver o pouco tempo que me resta de vida. E eu o que fui e o que sou? – Uma frustrada, fracassada, que olha para trás e não vê nada. Aonde fiquei? Perdida na vida dos outros. Aonde estou? Na vida dos meus netos, onde me sinto realizada. Onde brinco como nunca brinquei e sou a menina que nunca fui. Com respeito e alegria somos felizes quando estamos juntos e felizes na ausência com as lembranças boas dos momentos só nossos que partilhamos em loucuras de meninos. Maria Antonieta B. Alentado Oliveira 26-02-2017 – 00h 46m